Avivamento na Colômbia, Quênia e Califórnia

Kenneth Hagin - O Espírito de Visão e de Revelação

Avivamento da Rua Azusa - Completo

Interpretação de Línguas Estranhas


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Os Benefícios do Falar em Línguas – por Luciano Subirá

Coisa alguma que Deus nos dá é sem valor. Nada, absolutamente nada que o Pai tem nos oferecido é em vão; tudo tem proveito e utilidade. Em sua grandiosa graça, ele nos concede suas dádivas com a finalidade de extrairmos os benefícios. O falar em línguas não é coisa sem importância. Ele foi dado para o nosso bem, para a nossa edificação. Nesta prática há benefícios que transformam nossas vidas.

A maioria dos crentes que já foram batizados no Espírito Santo e passaram a falar em línguas, ainda não compreendeu o que receberam de Deus. Os conceitos são diversos, mas a grande maioria não vê um propósito no uso contínuo da linguagem sobrenatural de oração do Espírito Santo.

Se quem fala em línguas já não vê um motivo claro para isto, o que esperar daqueles que ainda não falam? Mas quando a Igreja começar a enxergar o sublime propósito desta dádiva de Deus, haverá um anseio maior pela manifestação do falar em línguas.

Já é tempo de compreendermos que mediante o uso das línguas podemos enriquecer nossa vida espiritual, edificando-nos a nós mesmos. Há bênçãos e vantagens a serem desfrutadas no uso desta prática. E sei que o apóstolo Paulo não pensava de forma diferente, pois chegou a ponto de declarar:

 “Dou graças ao meu Deus, que falo em línguas mais do que todos vós.” (1 Co.14.18)
Caso não houvesse proveito algum nas línguas, será que Paulo agradeceria a Deus por isso? Você acha ainda que ele as usaria tanto, como ele enfatiza ao dizer que o fazia mais do que todos os coríntios? E olhe que os corintos falavam mesmo em línguas! Havia um uso intenso nesta igreja, que chegou até mesmo a transformar-se em abuso, que foi um dos motivos que fez com que o apóstolo escrevesse corrigindo-lhes.

Note que ele não disse que falava em línguas mais do que eles no sentido de diversidade, mas a ênfase recai no valor da prática, o que claramente aponta para a quantia de tempo que ele investia nesta atividade. E por que agradecer a Deus por gastar tanto tempo falando em línguas? Está implícito que Paulo descobrira “uma mina de ouro”, uma fonte de poder e edificação! Como ele mesmo afirmou: “O que fala em línguas, edifica-se a si mesmo…” (1Co. 14.4.)
O falar em línguas é um instrumento de edificação. Edificar é construir, fazer crescer, levantar algo. Do ponto de vista espiritual edificação significa crescimento; fala de construir algo mais sobre o alicerce da fé em Jesus. O falar em línguas acrescenta em nós, de forma paulatina, tudo o que necessitamos para o nosso andar em Deus.

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

Ao falar da linguagem sobrenatural de oração do Espírito Santo, é preciso que fique bem claro que há “uma sociedade” nesta manifestação. O Espírito Santo não fala em línguas, somos nós que o fazemos; mas por outro lado, não falamos de nós mesmos, somente o que o Espírito do Senhor nos inspira a falar. Se uma das partes desta sociedade faltar, não haverá a manifestação.
Partindo, portanto, deste princípio, tenhamos em mente o momento em que esta manifestação inicia nas nossas vidas: quando recebemos o batismo no Espírito Santo. É exatamente neste momento, quando somos cheios do Espírito e encontramo-nos totalmente rendidos a ele, sob sua plenitude, que passamos a falar em línguas.

Mas por que ao sermos cheios do Espírito falamos numa linguagem diferente? Qual o valor desta manifestação? Qual é a dimensão da edificação que se dá em nosso íntimo?
O falar em línguas faz parte do propósito de Deus para as nossas vidas. É a ferramenta que o Espírito Santo usa para trabalhar em cada um de nós de forma mais profunda.
O falar em línguas vai produzir em nossas vidas a totalidade do ministério do Espírito Santo. A linguagem sobrenatural de oração é uma ferramenta do Espírito de Deus para realizar em nós sua obra. E há um motivo especial porque o Espírito Santo toca justamente em nossa fala a partir do momento que vem sobre nós.

A fala é um ponto estratégico, e o Espírito Santo não toca exatamente nesta área em vão. Tiago falou sobre o poder da fala:
“Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo. Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, então conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também os navios que, embora tão grandes e levados por impetuosos ventos, com um pequenino leme se voltam para onde quer o impulso do timoneiro. Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniqüidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno. Pois toda a espécie tanto de feras, como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se doma, e tem sido domada pelo gênero humano; mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal”. (Tiago 3.2-8)
A ciência tem descoberto em nossos dias o que há dois milênios atrás o Espírito Santo já havia revelado a seu povo: que o sistema nervoso da fala influencia todo o corpo. Mas além da influência natural, a Bíblia está mostrando que a fala tem também uma influência espiritual; mostrando que quem estará no controle será sempre Deus ou o diabo.
Qual a causa do Espírito Santo controlar justamente esta área tão estratégica de nossa vida ao encher-nos com seu poder? É porque por meio da fala ele poderá ampliar seu domínio em nós, e trabalhar com maior eficácia na execução do seu ministério!
O Espírito Santo trabalha nos homens. Desde o Velho Testamento ele faz isto (Gn 6.3). Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). O Espírito Santo está trabalhando neste exato momento, nos quatro cantos da terra, mesmo naqueles que ainda não conhecem a Deus. Entretanto, ele NÃO MORA DENTRO dessas pessoas, e elas nem sequer o conhecem, como declarou o Mestre bendito:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro ajudador, para que fique convosco para sempre, a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós”. (João 14.16-17)
Aleluia! Nós o conhecemos e ele habita em nós. Portanto, seu agir nas nossas vidas é muito mais profundo do que naqueles que ainda não são cristãos. Você imagina o quanto ele não vai agir em nós?
Ele veio habitar em nós para cumprir a parte que lhe toca no propósito divino. Quando Paulo escreve a Timóteo, fala do bom depósito em nós (2 Tm 1.14); ou seja, há um investimento de Deus em nossas vidas! O propósito de Deus ao enviar o Espírito Santo para habitar em nós foi para que ele produzisse algo em nossas vidas.
E saiba, com certeza, que o Espírito Santo não quer permanecer inativo. Habitar em você é parte do trabalho dele, e à medida que você se rende, o agir dele vai tornando-se cada vez mais intenso. O Espírito de Deus está em você para realizar a parte dele no propósito eterno de Deus; veio concluir a obra da redenção, pois esta é a parte que lhe cabe na ação da Trindade.

O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NA REDENÇÃO

O arrependimento começa no homem por uma ação divina. Sabemos disto porque Paulo disse aos romanos que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento (Rm 2.4). E quem está por trás disto? É o Espírito Santo; Jesus disse: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça, e do juízo.” (Jo 16.8.)
Após o arrependimento, quando o homem exerce a fé em Jesus e na obra da cruz, é o Espírito Santo quem faz com que isto se torne realidade nele. Por isso se diz que ao nascer de novo, o homem é nascido do Espírito (Jo 3.6). E na carta a Tito lemos acerca do lavar da regeneração do Espírito Santo (Tt 3.5), o que mais uma vez aponta para a atuação do Espírito na aplicação da redenção no homem.
Mas isto é apenas o começo. O reino de Deus tem três etapas básicas pelas quais o homem deve passar: porta, caminho e alvo. A porta é a entrada por meio de Jesus Cristo. O alvo é a chegada à estatura do varão perfeito e à glória celestial. E entre a porta e o alvo, o que restou é o caminho. O Espírito Santo não apenas nos faz passar à porta, mas é quem leva-nos até o alvo, e para isto usa o caminho.
O caminho é o período onde experimentaremos o tratamento de Deus em nós na vida cristã; é o meio pelo qual se vai ao alvo. E tudo isto é responsabilidade do Espírito Santo; é ele quem nos transforma de glória em glória na imagem do Senhor (2 Co 3.18), produz em nós seu fruto (Gl 5.22-23), e leva-nos a andar e viver nele (Gl 5.25).

A Nova Aliança é chamada por Paulo de O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO (2 Co 3.8), mostrando-nos seu papel de produzir em nós a obra de Deus. O Espírito Santo veio concluir a obra da redenção; é por isso que ele está em nós. E trouxe consigo uma linguagem de oração, para que por meio desta linguagem possa nos influenciar, uma vez que nossa língua é um meio tão estratégico para isto; pois como disse Tiago: se a língua do homem for controlada, com ela todo o ser da pessoa será também influenciado!

É necessário ressaltar que este toque na língua não é “mágico”, precisamos sujeitá-la a cada novo dia. Não é apenas falar em línguas ocasionalmente, ou no dia do batismo no Espírito, mas dia-a-dia, de forma constante e perseverante.
Mas o benefício divino desta linguagem está longe de ser apenas este, uma vez que não se trata apenas da língua estar sob controle, mas sim O QUÊ ela fala quando está sob controle do Espírito Santo. É preciso esclarecer que além do toque estratégico justamente na nossa fala, o Espírito nos leva a falar numa linguagem sobrenatural; e é O QUE FALAMOS sobrenaturalmente que produz os benefícios.

Além de sujeitar-se ao Espírito do Senhor, de entrar nos seus domínios por meio da prática diária da oração em espírito, você também experimentará:

1. Conhecimento por revelação.
2. A edificação da fé.
3. Vitória sobre a carne.
4. Cumprimento da vontade de Deus.
5. Sensibilidade espiritual.
6. Perfeito louvor.
7. Intercessão.

São áreas pertencentes ao ministério do Espírito Santo e que serão trabalhadas mais profundamente em nossas vidas por intermédio do uso desta ferramenta. Passemos então a analisar cada um destes benefícios maravilhosos que Deus nos tem oferecido…


(extraído do livro “O FALAR EM LÍNGUAS – A Linguagem Sobrenatural de Oração”,  de Luciano Subirá e publicado pela Orvalho.Com)

Uma (não tão) longa resposta a um semi-cessacionista

importante termos em mente que a nossa fonte primacial de autoridade é a Palavra de Deus, e não o que julgamos estar certo. O internauta Marcos Paulo me pergunta (e também faz afirmações) sobre a suposta cessação de alguns dons espirituais. Resolvi publicar as suas perguntas e as minhas respostas com destaque, a fim de que mais irmãos estejam inteirados quanto a esse importante assunto.
Eis o que disse o irmão Marcos:"Pastor Ciro, ainda com relação à questão da cessação de alguns dons espirituais, ainda acredito que isso é uma realidade bíblica. Não é porque a igreja primitiva desfrutava desses que a igreja moderna também deva desfrutar, como o senhor deixa a entender. O fato de que os homens santos do passado experimentaram algo não nos credencia a experimentar hoje. Um exemplo é a função de apóstolo.
A Bíblia não diz que esta função iria desaparecer, mas sabemos que esta desapareceu com igreja alicerçada no Firme Fundamento. O senhor acha que existem apóstolos ainda hoje? O Senhor acha que ainda hoje existem curas milagrosas com um simples toque da mão do homem de Deus? O senhor acha que existe algum homem de Deus cuja sombra cure pessoas? Coxos ainda hoje são restaurados com apenas uma palavra? Eu pessoalmente acho que não, e o que existe por aí são todas falsificações, imitações baratas, no entanto sabemos que essas curas existiram.
Todas estas manifestações são bíblicas, mas porque não encontramos hoje manifestações iguais ou maiores, como até mesmo foi prometido aos apóstolos em Jo. 14:12? (Aí está a segredo – a promessa foi para os apóstolos). Tudo o que os apóstolos fizeram através do poder de Deus tiveram um propósito. Eu entendo isso quando leio II Co. 12:12 onde Paulo diz que os sinais, prodígios e poderes miraculosos são as credenciais do seu apostolado. Também em Heb.2:3-4 quando o autor diz que a salvação que foi anunciada primeiramente por Jesus foi sendo testificada pelos apóstolos com sinais,milagres e várias maravilhas e dons do Espírito Santo.
Hoje acredito que não exista mais a operação dos dons extraordinários e os únicos milagres que vamos ver agora serão os profetizados por Jesus em Mat.24:24 “ porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos e II Tess. 2:9-12. Já estão surgindo falsos apóstolos e daqui a pouco estarão aparecendo falsos profetas e falsos Cristos e enganarão a muitos. Considero o senhor é um homem muito sábio e confesso que aprendi lendo seus artigos, mas, com relação a esse assunto, o que aprendi (dentro da Palavra) já é suficiente. Continuarei a buscar os dons do Espírito Santo, mas somente os que forem úteis para edificação da igreja ( I Co. 12:31). Aliás, foi isso que a igreja tentou fazer por toda a sua história, até o início do séc XX.
Obrigado por publicar meus comentários e espero não mais voltar para comentar sobre esse assunto".
Eis as minhas respostas:Caro irmão Marcos Paulo, nenhum dom cessou porque os dons são do Espírito. Os dons espirituais não são nem foram atributos de pessoas, em particular. Não! São dotações do Espírito Santo; e é Ele quem distribui particularmente a cada um, como Ele quer (1 Co 12.11).Essa sua argumentação é racional. Lembre-se de que a fé e a espiritualidade precedem a razão (1 Co 2.14,15). Não temos de nos acomodar ao que aparentemente é prático ou aplicável hoje. O Espírito conhece a igreja e sabe do que ela necessita. Precisamos buscar o ideal, e não o que nos parece coerente. A obra de Deus não é feita segundo a cabeça do homem, mas "pelo Espírito" (Zc 4.6).Não sou eu quem dou entender isso. É a Palavra de Deus que não deixa dúvidas da atualidade dos dons espirituais (At 2.39) e da sua necessidade (1 Co 12 a 14; 1 Ts 5.19,20). O irmão diz que o fato de que os homens santos do passado experimentaram algo não nos credencia a experimentá-lo também nos dias de hoje. Onde o irmão aprendeu isso, com todo o respeito? Leia Marcos 16.15-20 e João 14.12. O que dizem essas passagens?O dom de apóstolo que o Espírito dá é uma realidade para hoje, ainda não reconheçamos que haja pessoas com esse dom (Ef 4.11). O irmão está analisando essa questão do ponto de vista prático, repito, e não ideal.É preciso ver o que Deus pode e quer fazer, hoje, à luz da Bíblia, e não o que está acontecendo nas igrejas. Não se esqueça de que o Senhor é o mesmo (Hb 13.8). A Bíblia não diz que o dom de apóstolo iria desaparecer. Então, por que o irmão prefere fazer valer a praticidade, o raciocínio humano? Eu não acho mesmo que haja o dom de apóstolo hoje. Eu tenho certeza disso! São as Escrituras que apresentam esse dom, e de maneira clara, em 1 Coríntios e Efésios, pelo menos."O Senhor acha que ainda hoje existem curas milagrosas com um simples toque da mão do homem de Deus?", o irmão me pergunta. E a resposta é um sonoro sim. "O senhor acha que existe algum homem de Deus cuja sombra cure pessoas?", o irmão me questiona. E a minha resposta é não. Primeiro, porque a passagem de Atos não diz que era a sombra de Pedro que curava. Sem dúvidas, no entanto, o poder de Deus para curar, e os dons de curar, continuam em plena atividade."Coxos ainda hoje são restaurados com apenas uma palavra? Eu pessoalmente acho que não, e o que existe por aí são todas falsificações, imitações baratas, no entanto sabemos que essas curas existiram", o irmão afirma, equivocadamente, pois põe no mesmo bojo fenômenos, ilusionismo (práticas antibíblicas) e sinais de fato operados por Deus, que seguem aos seus servos, em decorrência da pregação do evangelho (Mc 16.15-20)."Todas estas manifestações são bíblicas, mas porque não encontramos hoje manifestações iguais ou maiores, como até mesmo foi prometido aos apóstolos em João 14.12?", o irmão pergunta. Entretanto, eu tenho visto Deus fazer maravilhas em nossos dias, se bem que há também muitos enganadores, para que se cumpra a Palavra de Deus (2 Tm 4.1-5; 2 Pe 2.1,2).
"Hoje acredito que não exista mais a operação dos dons extraordinários e os únicos milagres que vamos ver agora serão os profetizados por Jesus em Mateus 24.24... e 2 Tessalonicenses 2.9-12", o irmão argumenta. Veja como o próprio irmão admite que tem como fonte de autoridade a sua própria razão, ao dizer "eu acredito que". Uma coisa é o que pensamos, e outra bem diferente é o que as Escrituras dizem (1 Co 4.6; 15.1-4)."Continuarei a buscar os dons do Espírito Santo, mas somente os que forem úteis para edificação da igreja (1 co 12.31)", o irmão argumenta, de maneira paradoxal e precipitada, pois quem somos nós para selecionar os dons do Espírito Santo ou restringi-los? Siga a Palavra, meu amado. Busque os melhores dons, principalmente o de profetizar (1 Co 14.1).
Todos os dons do Espírito estão à nossa disposição! Agradeço-lhe pelas perguntas, pois elas com certeza levarão os irmãos internautas a refletirem sobre essas importantes verdades bíblicas.
Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Os dons espirituais à luz das Escrituras - 2

Como afirmei no artigo anterior, há diferença entre os dons do Espírito como manifestações esporádicas e os dons ministeriais. Estes não dependem, necessariamente, do batismo com o Espírito. As ministrações momentâneas e sobrenaturais do Espírito para a edificação da igreja só vêm sobre quem já recebeu o revestimento de poder, o batismo com o Espírito (At 2.1-4; 10.44-47; 19.1-6, etc.). 

Apolo era um pregador — ele tinha o ministério, o dom ministerial, de pregador da Palavra, assim como Paulo (1 Tm 2.7) —, porém não era batizado com o Espírito, ao contrário do mencionado apóstolo (cf. At 18.24-19.6). Há vários ministros, pertencentes a denominações evangélicas não-pentecostais, que, à semelhança de Apolo, foram chamados por Deus, desempenham um ministério, a despeito de não conhecerem o batismo com o Espírito Santo.

Os dons espirituais como manifestações momentâneas, esporádicas, objeto deste artigo, estão à disposição de todos os salvos batizados com o Espírito. Entretanto, tais manifestações ou ministrações do Espírito não devem ser confundidas com o fruto do Espírito. Na verdade, os dons e o fruto se completam.

Neste segundo artigo da série sobre os dons espirituais, conheceremos as principais diferenças entre as aludidas ministrações espirituais momentâneas e o fruto do Espírito Santo no que tange a: quantidade, forma de recebimento, origem, forma de manifestação, duração, momento do recebimento, qualidade, finalidade e importância.

1. Quanto à quantidade. Os dons são muitos, e não apenas nove, como muitos pensam. Segundo a Bíblia, há diversidade de dons, ministérios e operações (1 Co 12.6-11,28; etc.). O fruto do Espírito também não deve ser quantificado. Quem afirma que são apenas nove os elementos formadores do fruto toma como base apenas Gálatas 5.22. Mas há várias outras passagens que tratam dessa doutrina paracletológica (Ef 5.9; Cl 3; 1 Pe 5.5; 2 Pe 1.5-9, etc.).

2. Quanto à forma de recebimento. Os dons são repartidos para a igreja, coletivamente, para edificação dela. O fruto do Espírito — que não deve ser reduzido a uma lista de virtudes, haja vista tratar-se do Espírito Santo agindo na vida do crente, a fim de mudar o seu interior, o seu caráter — é produzido na vida de cada servo do Senhor que dá lugar ao Consolador.

3. Quanto à origem. Os dons espirituais vêm do alto sobre a igreja. O fruto tem origem no interior de cada crente espiritual.

4. Quanto à forma de manifestação. Os dons vêm sobre os crentes, conferindo-lhes unção poderosa (capacitação) para pensar, interpretar, discernir, pregar, orar, ajudar, etc. O fruto manifesta-se em cada crente de dentro para fora, através de virtudes como amor, alegria, paz, humildade, etc.

5. Quanto à duração. Os dons como manifestações — e não como ministérios, repito — são momentâneos. O fruto permanece na vida do crente. Mas precisa amadurecer a cada dia.

6. Quanto ao momento do recebimento. Os dons espirituais manifestam-se na vida dos servos do Senhor a partir do batismo com o Espírito Santo, como vemos em Atos caps. 2, 10 e 19, especialmente. “O batismo é também um meio para a outorga por Deus dos dons espirituais — 'falavam línguas e profetizavam'” (GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais, CPAD, p.64). Já o fruto manifesta-se no crente a partir da sua conversão (Ef 1.13,14). O fruto, portanto, como já disse, é o Espírito Santo agindo na vida do crente, a partir do primeiro momento de sua salvação, para moldar o seu caráter (Gl 5.22; 2 Pe 1.5-9, etc.).

7. Quanto à qualidade. Os dons espirituais são perfeitos, embora muitas pessoas façam mau uso deles. Já o fruto precisa amadurecer. Este amadurecimento do fruto produzido no crente pelo Espírito ocorre gradativamente, de acordo com a disposição do coração do salvo. Trata-se do aperfeiçoamento espiritual (2 Tm 3.16,17; Ef 4.11-15).

8. Quanto à finalidade. Os dons são manifestações para edificação da igreja. O fruto do Espírito tem como finalidade o desenvolvimento do caráter de cada crente. A igreja de Corinto era pentecostal (1 Co 1.7; caps. 12-14). Todos os dons, ministérios e operações divinos tinham lugar ali (1 Co 12.4-6). Contudo, ela estava envolvida em diversos problemas (1 Co 1.10; 6.1-11; 11.18), pecados morais graves (1 Co 5), além da desordem no culto (1 Co 11.17-19).

Os coríntios eram imaturos e carnais (1 Co 3.1-4).Se dermos ênfase apenas aos dons como manifestações esporádicas, em detrimento do fruto do Espírito, males ocorrerão na igreja, como: dissensão, carnalidade, egoísmo, desordem e indecência. O partidarismo na igreja de Corinto decorria da falta de amadurecimento do fruto do Espírito (1 Co 11.18; 1.10-13; 3.4-6). O termo “dissensões” (1 Co 1.10; 11.17) descreve a destruição da unidade cristã por meio da carnalidade. Em vez de gratidão a Deus, para promover a comunhão e “guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4.3), os coríntios se reuniam para o culto com espírito faccioso.

9. Quanto à importância. Em Corinto, havia muita carnalidade porque os crentes daquela igreja não priorizavam o fruto do Espírito (1 Co 3.1-3). Havia membros daquela igreja controlados pelo Espírito Santo (1 Co 1.4-9; Rm 8.14), mas muitos eram carnais (1 Co 13.1). Carnal é o crente cuja vida não é regida pelo Espírito (Rm 8.5-8); que tem muita dificuldade de entender os assuntos espirituais (1 Co 2.14); que vive em contendas, etc. Por não cultivarem o fruto do Espírito, os coríntios eram egoístas (1 Co 11.21).

Na liturgia da igreja primitiva era comum a Ceia do Senhor ser precedida por um evento festivo denominado agápe (e não ágape) ou “festa do amor” (2 Pe 2.13; Jd v.12). No entanto, alguns crentes, em vez de fortalecerem o amor e a unidade cristã antes da Ceia do Senhor, embriagavam-se. Segundo a Bíblia, todos os crentes (batizados com o Espírito, é evidente) podem, no culto, falar em línguas ou profetizar (1 Co 14.5ss). Mas ela também nos ensina a exercer esses dons com sabedoria, ordem e decência (1 Co 14.26-33,37-40), a fim de que: o nome do Senhor seja glorificado (1 Co 14.25); o incrédulo convencido de seus pecados (1 Co 14.22-25); e a igreja edificada (1 Co 14.26).

É imprescindível o casamento entre o fruto do Espírito e os dons espirituais. Afinal, o espírito do profeta deve estar sujeito ao profeta. Em outras palavras, o crente controlado pelo Espírito é usado por Deus, mas tem equilíbrio, domínio próprio e discernimento. O fruto do Espírito amadurecido na vida do crente impede-o de abraçar aberrações pseudopentecostais como “cai-cai”, “unção do riso”, etc.

Ciro Sanches Zibordi

Os dons espirituais à luz das Escrituras - 1

As próximas quatro lições da revista Lições Bíblicas, da CPAD — adotadas principalmente pelas Assembleias de Deus em suas Escolas Dominicais —, abordarão os dons do Espírito Santo, começando com a lição: O Propósito dos Dons Espirituais. Apresento aqui a primeira parte da minha modesta contribuição sobre o assunto. A segunda parte desta abordagem será publicada ainda no início desta semana.

Haja vista a alegação dos críticos das doutrinas paracletológicas de que a expressão “dons espirituais” não consta da Bíblia, iniciarei esta série fazendo um esclarecimento. 
De fato, o termo “dons espirituais” não aparece em 1 Coríntios 12.1 e 14.1,12. Mas o termo original pneumatikon (literalmente, “espiritualidades” ou “coisas espirituais”) pode ser perfeitamente traduzido por “dons espirituais”, uma vez que esta tradução é abonada pelo contexto imediato: “há diversidade de dons” (1 Co 12.4); “dons de curar” (vv.9,28); “dom de curar” (v.30); “procurai com zelo os melhores dons” (v.31).

“Dons”, em 1 Coríntios 12.31, é charisma, mas em 1 Coríntios 14.1 é pneumatikon. Isso confirma que os termos são perfeitamente intercambiáveis, à luz do contexto. Ambas as formas se referem aos dons espirituais. 
Estes fazem parte das ministrações do Espírito Santo na igreja e manifestam a glória divina.

Os dons espirituais edificam os crentes e atraem os pecadores. São capacidades, dotações sobrenaturais concedidas pelo Espírito Santo, com o propósito principal de edificar a igreja (1 Co 14.3,4,5,12,26; Ef 4.11-13). Através deles, o Senhor revela poder e sabedoria aos seus servos.


Há distinção entre os dons espirituais mencionados em 1 Coríntios 12.6-11 e o batismo com o Espírito Santo, também chamado de dom do Espírito (At 2.38; 10.45). Este é um revestimento de poder outorgado pelo Espírito Santo, enquanto os primeiros são as capacidades sobrenaturais decorrentes do tal batismo. Nesse caso, quem já fala em línguas, como evidência do aludido revestimento, deve desejar e buscar outros dons: “procurai com zelo os dons espirituais” (1 Co 14.1); “como desejai dons espirituais, procurai sobejar neles” (v.12).


Também há distinção entre os dons espirituais como
manifestações esporádicas (1 Co 12.6-11) e como ministérios (1 Co 12.28). Os primeiros estão à disposição de todos os que buscam a Deus (At 2.39; Rm 11.29). Já os dons ministeriais são residentes nos servos do Senhor e dependem, evidentemente, da chamada soberana de Deus (Mc 3.13).

À luz da Palavra de Deus, todo crente fiel, batizado com o Espírito Santo, pode ser usado com o dom de profecia (1 Co 14.1). Mas nem todo crente, mesmo que batizado com o Espírito, pode ser um pastor, por exemplo, visto que este dom não é uma manifestação momentânea, esporádica, e sim um ministério outorgado soberanamente por Deus (Ef 4.11; Hb 5.4). Os dons como ministérios serão abordados nas presentes Lições Bíblicas da CPAD a partir da lição 6.

D
e modo geral, todos os dons são dados à igreja para o que for útil (1 Co 12.7; 14.28). E, por isso mesmo, não devemos ignorá-los ou desprezá-los (1 Co 12.1; 1 Ts 5.19,20; At 19.1-7). É o Senhor quem nos concede essas dádivas, “segundo a graça” (Rm 12.6). E, como essas dotações são, primacialmente, para a edificação do povo de Deus (1 Co 14.26), não devem ser mal utilizadas, sem decência e ordem, no culto genuinamente pentecostal (1 Co 14.37-40).

Ciro Sanches Zibordi

O que é o batismo com o Espírito Santo e com fogo?

Este é o terceiro — e último — artigo a respeito do batismo com o Espírito e com fogo, profetizado por Isaías (44.3), Joel (2.28,29), João Batista (Mt 3.11; Lc 3.16) e pelo próprio Senhor Jesus (Mc 16.17; Lc 24.49; At 1.5,8).

No dia de Pentecostes, os seguidores do Mestre receberam a bênção em apreço pela primeira vez
, tendo como evidência as línguas repartidas como que de fogo que pousaram sobre cada um deles (At 2.1-4). 
Elas não foram produzidas pelos próprios seguidores de Jesus. Elas vieram sobre aqueles, de modo sobrenatural: “E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3).

É importante dizer que o termo “línguas estranhas” é usado no meio pentecostal para denotar que essas línguas são estranhas (desconhecidas) para quem as pronuncia, e não — necessariamente — aos que as ouvem.


Vários dons do Espírito Santo são exercidos através da língua.
Deus usa as línguas estranhas como sinal externo do batismo com o Espírito Santo e com fogo, para demonstrar sua inteira posse e controle da nossa língua, ao batizar os seus servos (cf. Tg 3.8).

Há muitos abusos nessa área, promovidos por movimentos pseudopentecostais. Mas o livro de Atos dos Apóstolos não deixa dúvidas quanto ao fato de as línguas estranhas serem a evidência inicial do revestimento de poder em análise. Em três passagens, pelo menos, é mencionada, textualmente, essa verdade:
“começaram a falar em outras línguas” (2.4); “os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus” (10.46); “e falavam em línguas e profetizavam” (19.6).

As línguas estranhas não são apenas um sinal do batismo em apreço. Elas também são apresentadas no Novo Testamento como um dos dons do Espírito Santo pelo qual Deus fala com o seu povo (1 Co 12.10,30).
O dom de variedade de línguas é usado pelo Espírito em conexão com o dom de interpretação das línguas (cf. 1 Co 12.10,28,30; 14.5,13,26-28).

Há pessoas batizadas com o Espírito que falam em línguas, mas não são portadoras de mensagens proféticas. E é aqui que reside muita confusão. Mas,
em Atos 2.16,17 e 19.6, vemos que as línguas ocorreram inicialmente como sinal do batismo e, logo depois, quase ao mesmo tempo, houve a manifestação do dom de variedade de línguas.

No dia de Pentecostes, as línguas “como que de fogo” vieram do céu. Não foram produzidas por vontade humana. Hoje, infelizmente,
há pregadores e cantores que mandam o povo “dar uma rajada de línguas estranhas”, o que é uma aberração. Ainda que o espírito do profeta esteja (ou deva estar) sujeito ao profeta, não falamos em línguas apenas porque queremos falar, e sim porque elas foram antes geradas sobrenaturalmente em nosso espírito. É o Espírito Santo quem acende o fogo em nossos corações!

É preciso ter em mente, então, que as línguas estranhas são multiformes em sua manifestação. Elas inicialmente são o sinal do batismo com o Espírito. Mas também podem conter mensagens proféticas, que precisam — geralmente — de interpretação, a menos que elas sejam conhecidas do público, como ocorreu no dia de Pentecostes.
E elas, ainda, edificam o crente (1 Co 14.4).

Muita gente se opõe às línguas estranhas, mas elas são o único dos dons — entre as manifestações esporádicas do Espírito — do qual está escrito que edifica o seu portador. Os outros edificam a igreja. Paulo, em 1 Coríntios 14, asseverou que falava mais línguas (estranhas) que todos os coríntios (v.18) e ensinou: “Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e
não proibais falar línguas” (v.39).

As línguas para edificação do crente são mencionadas na Bíblia como um meio de o crente falar diretamente a Deus na dimensão do Espírito Santo: “Porque
o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios” (1 Co 14.2). Essa oração “no Espírito” é confirmada em outras passagens, como 1 Coríntios 14.14,15; Romanos 8.26; Efésios 6.18; e Judas v.20.

Embora haja manifestações pseudopentecostais no meio dito pentecostal, isso não é motivo para desprezarmos o que a Bíblia diz a respeito das línguas “como que de fogo” produzidas sobrenaturalmente pelo Espírito. Mas tenho visto muitos zombarem delas. Esses ignoram que,
através desse dom espiritual, o crente louva e adora a Deus melhor, inclusive cantando, dando-lhe graças (1 Co 14.15-17; Ef 5.19), magnificando-o e falando de suas grandezas (At 2.11; 10.46).

Como se vê, o estudo sobre as línguas estranhas é vastíssimo e, por isso, o crente que se preza não o despreza. Afinal, a Palavra de Deus afirma, em 1 Coríntios 14.26: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação,
tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”. E essa recomendação não é apenas para os crentes que se dizem pentecostais, mas para todo o povo de Deus!

Amém?


Ciro Sanches Zibordi

Como Posso Criar Um Criminoso?



Norbert Lieth
A Bíblia nos ensina em Provérbios 22.6: "Ensina a criança no caminho que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele." A chefia de polícia de Houston, Texas (EUA), publicou as seguintes diretrizes irônicas sobre a educação de filhos:

Como posso conduzir meu filho a caminhos errados?

  1. Desde pequeno, dê ao seu filho tudo que ele deseja.
  2. Ache graça quando seu filho disser palavrões, pois assim ele ficará convencido da sua originalidade.
  3. Não lhe dê orientação espiritual. Espere que ele mesmo escolha "sua religião" depois dos 21 anos de idade.
  4. Nunca lhe diga que ele fez algo errado, pois isso poderia deixá-lo com complexo de culpa.
  5. Deixe que seu filho leia o que quiser... A louça deve ser esterilizada, mas o espírito dele pode ser alimentado com lixo.
  6. Arrume pacientemente tudo que ele deixar jogado: livros, sapatos, meias. Coloque tudo em seu lugar. Assim ele se acostumará a transferir a responsabilidade sempre para os outros.
  7. Discuta freqüentemente diante dele, para que mais tarde ele não fique chocado quando a família se desestruturar.
  8. Dê-lhe tudo em comida, bebida e conforto que o coração dele desejar. Leia cada desejo nos seus olhos! Recusas poderiam ter perigosas frustrações por conseqüência.
  9. Defenda-o sempre contra os vizinhos, professores e a polícia; todos têm algo contra seu filho!
  10. Prepare-se para uma vida sem alegrias – pois é exatamente isso que o espera!
Quem "educar" seus filhos dessa maneira, realmente deve esperar anos difíceis, pois a Bíblia diz em Provérbios 29.15b: "...a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe". Aquele, entretanto, que seguir a Palavra de Deus na educação, experimentará o que diz Provérbios 29.17: "Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma." (Norbert Lieth)

Como investir na felicidade?

Há pouco tempo assisti a uma palestra interessante. Pesquisadores de Harvard fizeram um estudo com 724 homens. Durante 75 anos pesquisaram em cada um deles diversos parâmetros que mediam felicidade, como: satisfação pessoal, saúde, realizações de vida, bem estar, contentamento próprio. Tal estudo já está na sétima geração de pesquisadores. 
O incrível é que 60% dos entrevistados ainda estão vivos. A maioria já na casa dos 90 anos.

No início da pesquisa, a pergunta era: “O que é importante para que você seja feliz?” A maioria respondeu: “ser rico”. Ter muito dinheiro! Outro grupo aspirava ser famoso em alguma área.

Dois grupos foram escolhidos. O primeiro formado por finalistas de Harvard em 1938. Quer dizer: gente com recursos, a classe A da sociedade. O segundo grupo escolhido era formado pelos rapazes mais pobres de Boston. Famílias que moravam nos cortiços, sem água quente em casa... enfim, os que estavam à margem social da cidade.

Após 75 anos havia gente em todos os níveis sociais. Alguns homens haviam se tornado médicos; outros simples operários em obras. Um deles se tornou presidente dos Estados Unidos. Alguns se tornaram alcoólatras, outros esquizofrênicos; gente bem sucedida, enquanto outros totalmente improdutivos. Havia casos de ascensão social e exemplos de declínio financeiro total na vida.

Mas, afinal, qual a conclusão dessa pesquisa? Quem demonstrou, ao final, ter uma vida prazerosa, feliz, saudável e realizada? A pesquisa revelou que eram mais felizes, não os ricos ou famosos, mas os que desenvolveram bons relacionamentos! Os que se entrosaram com gente, e desenvolveram amizades saudáveis, na família ou na comunidade. O importante não era o número de amigos ou a duração do casamento, mas a qualidade dos relacionamentos, a sensação de saber que poderia confiar e contar com alguém em caso de necessidade.

A pesquisa mostrou que a solidão mata. Os que se isolaram eram mais propensos a doenças e se sentiam mais infelizes. Mostrou também que quem aos 50 anos se dedicava a bons relacionamentos, ao chegar aos 80 passava pelas dores da velhice com menos reclamações.

A grande conclusão é que ser feliz é desenvolver bons relacionamentos, ter amizades prazerosas e se envolver na família e na comunidade!

E você? Está investindo na sua felicidade? Ainda há tempo para reverter um futuro sombrio que aguarda os que se isolam, os egoístas, os que pensam mal, os orgulhosos. Gente assim sempre acaba só! Por outro lado, quando Jesus e os seus princípios mudam o nosso viver, começamos a viver uma vida mais dedicada aos outros, à família e à Igreja! Que tal investir na sua felicidade? Comece agora!

• Paulo Brito, 68 anos, é médico, músico e pastor presidente da Igreja Missionária Maranata. Pastoreia no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ). - Ultimato

O Cristianismo Pós Moderno: conformismo e conveniência?

O Cristianismo Pós Moderno: conformismo e conveniência?


‘’O Cristianismo ora nominado de pós – moderno reduz o evangelho do inconformismo a uma cartilha de como se vestir para as conveniências de uma realidade submersa ao relativismo, ao subjetivismo e ao individualismo, dentro de uma realidade pluralista e num vácuo ético e de valores orientadores, pelo qual tudo pende para os badalados pontos de vista. ’’


''Devemos ponderar para não sermos aterros de sermões, de pregações que somente mexem com nossa superficialidade, de teses teológicas, de profecias e revelações, agradáveis até, mas nada mais além disso; em outras palavras, não sermos também um monturo ou um vale de palavras secas, sem sabor, sem vivacidade, sem inspiração e criação; sinceramente, talvez seja preferível uma palavra, ao invés de toda a bíblia, sem a graciosa fecundidade, ou seja, a unção, simples e profunda, da Cruz de Cristo.''



O Cristianismo pós – moderno não anda pelas trilhas do inconformismo. 

Aliás, o inconformismo por desmontar tantos pesos e contrapesos de doutrinas e dogmas, pelo qual as pessoas permanecem atreladas a uma penitência, como se a salvação tivesse algo a ser compensado. Durante séculos, a dita igreja se perdeu por labirintos para definir qual a mais acertada linha teológica a ser aplicada. 

Não parou por ai, cindiu – se, esgarçou – se e desmoronou o diálogo da tolerância e multidiversidade, com outras correntes cristãs, para defender sua tradição e seus costumes. Eis os episódios pós reforma protestante, ao qual desembocou numa pletora de vertentes teológicas, místicas e por ai foi. 

Ultimamente, somos confrontados com um Cristianismo maltrapilho, barateado, de bagatelas, de trocas, reduzido a tornar as pessoas boas, caridosas, legais e bem – sucedidas, mas sem ir as feridas, sem abordar uma redefinição de valores e práticas éticas, sem questionar nossas posições e convicções. 

Em outras palavras, um Cristianismo adaptado as exigências de um contexto de conveniências e conformismo, de uma espiritualidade bem acomodada aos ritualismos dominicais, as opções mercadológicas (ou seja, uma realidade evangélica volátil, com consumidores inveterados por novidades e inovações advindas dos púlpitos e de suas personalidades predestinadas, homens e mulheres acima do bem e do mal). 

De notar, um Cristianismo voltado a estabelecer aos homens a decisão por se achegar ao Criador, quando a trajetória de Cristo já firmou essa via. Mesmo assim, os homens porfiam em fazer o caminho e ditar as regras. Vou adiante, o Cristianismo pós – moderno não traz o sentimento do dever, da responsabilidade pelo próximo, do serviço como manifestação de usar os talentos e dons em prol da vida. 

Grosso modo, noutro lado da moeda, elege a reivindicação dos meus direitos, a defesa irrestrita das minhas volições e aspirações forjadas dentro de uma cultura consumista e narcisista. Nessa linha de raciocínio, substitui – se o discipulado para seguir ícones que me atenda, nem sequer atenta para a confissão, porque as pessoas se reúnem em espaços desprovidos de qualquer leitura de viver em comunidade. 

Abre – se um parêntese, o Cristianismo pós-moderno não se arraiga e se move para lá e cá, sempre consoante ao binômio – ‘’lucro e prejuízo’’, não estimula as pessoas a se olharem e se importarem (umas com as outras). Tudo se limita a uma relação vertical, entre eu e Deus, nada mais e nada menos! 

Sem titubear, suas palavras são como cismas, cada pedaço com a intenção de falar mais alto, quem pode curar, prosperar, intervir mais... Perde-se em disputas territoriais, se esquece de a verdadeira religião (aqui no sentido de a adoção de valores supremos e dignos para todo ser humano) se pauta no cuidado aos órfãos, as viúvas, aos estrangeiros, aos pobres (de cidadania, de uma espiritualidade saudável, de humanidade, de esperança, de uma política séria e sincera). 

Para piorar o quadro, leva as pessoas a não mais responderem ao Senhor, em oração; afinal de contas, tem seus intermediários que jejua, que ora, que medita e intercede por você, numa espécie de quarteirização da Trindade. Não bastasse, muito menos precisamos sair de casa, oferece – nos cultos virtuais, sem a necessidade chorar, amar, participar, viver a parceria, partilhar e aprofundar os laços de espirituais, humanos e afetivos com outros. 

Verdadeiramente, o Cristianismo pós – moderno se reduz a uma cartilha humanista, com séculos de tradição,como se fosse um ideal a ser adaptado. Agora, fomos chamados para nos conformamos com o presente século? Ora, isto não envolve ir a direção do evangelho simples de Cristo, do Carpinteiro dos Recomeços, de Jesus de Nazaré, do Messias da vida, porque andou entre publicanos, plebeus, pobres, ricos, gente suspeita (Zaqueu), repudiada (a mulher adultera), desprezada (a mulher sírio fenícia, a mulher samaritana), execrada (centurião romano) e trouxe vida?


Robson Santos Sarmento - Ultimato





O Pecado Destruiu a Imagem de Deus


Peter Malgo
Há uma história interessante envolvendo o famoso pintor Pablo Picasso. Depois de muito trabalho ele concluiu uma obra que mostrava de forma impressionante toda a crueldade da guerra. Um oficial do Exército entrou em seu ateliê e quando viu a pintura ficou parado, petrificado. Depois de alguns momentos fez a pergunta completamente supérflua a Picasso: “Você fez isso?” “Não”, respondeu Picasso, mirando o estranho com seu olhar penetrante, e completou: “Não – foi você quem fez isso!” É lógico que o oficial se referia à pintura e Picasso falava dos horrores da guerra.
Será que às vezes as pessoas não são como o oficial? Quando ficam profundamente consternadas com a miséria no mundo, questionam: “Por que Deus permite tudo isso?” “Onde estava Deus?” “Esse é um Deus de amor?” Mas quem se atreveria a contradizer a Deus se Ele respondesse: “Não, não fui eu quem estragou o mundo. Vocês fizeram isso!” Em Gênesis 1.26 lemos acerca da maravilhosa criação de Deus: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra”. “À nossa imagem e semelhança”. No versículo 27 Deus se põe em ação: “Criou, Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Esses dois primeiros seres humanos, homem e mulher, devem ter sido indescritivelmente belos. Não precisavam de produtos de beleza. E hoje? Não estou me referindo à aparência exterior, falo do interior. O ser humano tenta apresentar-se aos outros da melhor forma possível, mostra uma fachada bonita e faz parecer que tudo está na mais perfeita ordem. Mas será que suportará o exame do olhar divino, que a tudo vê e prescruta os cantos mais escondidos do nosso coração? Será que nossas correções e retoques terão qualquer valor diante da luz de Deus?

O ser humano tenta apresentar-se aos outros da melhor forma possível, mostra uma fachada bonita e faz parecer que tudo está na mais perfeita ordem. Mas será que suportará o exame do olhar divino, que a tudo vê e prescruta os cantos mais escondidos do nosso coração?
A história de Picasso aconteceu realmente e se encontra em muitos registros de sua vida e de sua obra. Ele havia feito da guerra e da destruição o tema de sua pintura. Deus, em Sua genialidade, criou algo incomparavelmente maravilhoso: o homem, uma imagem dEle mesmo e imaculadamente belo! Depois que Deus acabou Sua obra, entrou em cena a serpente, Satanás, o Inimigo. Com astúcia ele conseguiu convencer os homens a desobedecer às ordens claras de Deus. Com isso o homem, coroa da criação, ficou marcado pelas conseqüências do pecado e sua imagem divina ficou irreconhecível. Satanás tentara encobrir essa realidade prometendo: “sereis como Deus” (Gn 3.5). Mas a linda imagem que Deu pintara foi encoberta e desfigurada pelo pincel do pecado.
É interessante ver que muitas vezes Deus fala às pessoas através de imagens e simbolismos. Já no Antigo Testamento podemos encontrar muitas ilustrações proféticas e prefigurações do clímax do Plano de Salvação: a morte de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, no lugar do pecador. Se seguirmos as indicações e as setas que apontam para a cruz, veremos que Deus nos criou à Sua imagem. Perceberemos que caímos em pecado, mas também veremos que Deus, em Seu grande amor, não desistiu de ninguém. Ainda antes da fundação do mundo Ele planejou uma salvação maravilhosa para cada um de nós – por meio de Jesus Cristo!
O pecado destruiu a imagem de Deus no homem. Mas o alvo expresso de Deus é voltar a transformar o homem em Sua imagem (Rm 8.29). Ele faz isso por meio do Seu Filho:“Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.7). Somos transformados por Jesus de tal forma que, no final, seremos semelhantes a Ele (1 Jo 3.2).
Infelizmente é possível desfigurarmos a imagem de Deus em nós, por exemplo, através de um pecado de estimação, um erro que não queremos corrigir ou um defeito que negamos a consertar em nós. Assim estaremos nos comportando como Pilatos, que errou tanto em relação a Jesus! Por isso é bom que nos perguntemos hoje, de forma muito concreta: até que ponto Deus já conseguiu gravar Sua imagem em mim? Permitamos que Ele trabalhe em nós! Ele quer usar Seu corretor nas nossa imperfeições, encobrindo manchas e apagando pecados, para que a cada pincelada cheguemos mais perto da imagem que Ele quer ver em nós. (Peter Malgo — Chamada.com.br)

Apostasia, Anjos e Juízo

Renald E. Showers
“Quero, pois, lembrar-vos, embora já estejais cientes de tudo uma vez por todas, que o Senhor, tendo libertado um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram; e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia; como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição. Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores. Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda! Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem. Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá” (Judas 5-11).
A apostasia não é algo novo. Embora ela possa parecer pior hoje do que em anos anteriores, ela tem estado por aí desde quase sempre; e ela colhe o juízo de Deus.
Apóstata é aquela pessoa que abandona a religião, os princípios, o grupo ou a causa aos quais era associada e cujos ensinamentos professava anteriormente.[1] O livro de Judas dá exemplos de apóstatas dos tempos do Antigo Testamento e do juízo divino que esses apóstatas colheram.

Apóstatas do Antigo Testamento

O primeiro exemplo envolve o povo de Israel, a quem Deus havia trazido do Egito sob a liderança de Moisés (Jd 5). Todos ficaram muito satisfeitos em ser libertados da escravidão e do sofrimento que haviam experimentado durante muitos anos. Mas os incrédulos entre os israelitas ficaram satisfeitos meramente por motivos egoístas, em vez de ser pela honra e glória de Deus. Como conseqüência, Deus, “destruiu, depois, os que não creram” (Jd 5).
O segundo exemplo de Judas envolve um grupo de anjos, a quem Deus criou para um domínio angélico especial, ou esfera de influência (v.6).[2] Aparentemente, esses anjos ficaram satisfeitos com seu poder sobrenatural de influência, mas decidiram usá-lo por motivos egoístas em vez de ser para os propósitos de Deus. O pecado dos anjos consistiu em quatro ações:
1. Abandonar o domínio que lhes havia sido ordenado por Deus, ou sua esfera de influência, a fim de se tornarem parte de um domínio diferente.
2. Abandonar “seu próprio domicílio” (v.6). Esses anjos desertaram da habitação ordenada por Deus para os anjos nos céus,[3] a fim de viverem em outro local.
3. Entregar-se à “prostituição” (v.7). O versículo 7 começa, dizendo: “Como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas”. Alguns intérpretes afirmam que o versículo 7 não tem nenhuma relação com os anjos do versículo 6.[4] Eles insistem que as palavras“como aqueles”, no versículo 7, se referem às cidades de Sodoma e Gomorra e não aos anjos do versículo 6, e que Judas estava dizendo que as cidades ao redor de Sodoma e Gomorra se entregaram à imoralidade sexual de maneira semelhante às de Sodoma e Gomorra.
No entanto, a palavra “cidades” em grego é feminina. Diferentemente, as palavras gregas traduzidas por “como aqueles” no versículo 7, e “anjos” no versículo 6 são ambas masculinas. Assim, “como aqueles” no versículo 7 deve referir-se aos anjos do versículo 6, e não às cidades de Sodoma e Gomorra.[5] Judas estava dizendo que Sodoma e Gomorra e as cidades ao redor destas pecaram como os anjos do versículo 6, cometendo imoralidade sexual.
Todavia, isto não significa que os anjos se entregaram ao mesmo tipo de imoralidade sexual que os homens daquelas cidades perversas. A palavra grega traduzida por “prostituição” no versículo 7 se refere a qualquer tipo de relacionamento sexual proibido por Deus.[6] A imoralidade sexual dos homens de Sodoma e Gomorra, e das cidades da circunvizinhança, envolvia irem atrás de “outra carne”. Ir “após outra carne” significa “ter relações sexuais antinaturais”.[7] Os homens se envolveram em relações sexuais não-naturais uns com os outros, embora Deus tenha criado seres humanos masculinos para serem sexualmente alheios a outros seres humanos masculinos (Lv 18.22; Lv 20.13; Dt 23.17.
4. Ir “após outra carne” (v.7). A imoralidade sexual dos anjos também envolvia ir atrás de “outra carne”. Deus criou anjos como seres espirituais, sem corpos físicos de carne e osso. Assim, os anjos do versículo 6, contrariamente à sua natureza e ao que Deus pretendia, buscaram ter relações sexuais com carne física. O final do versículo 6 indica que Deus puniu esse pecado quádruplo confinando-os a um lugar lúgubre de trevas, onde Ele os mantém até o juízo final deles no fim da história desta Terra: Ele os reservou em “algemas eternas” para o juízo do grande dia.
O apóstolo Pedro tinha em mente esses mesmos anjos quando escreveu:
“Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo. E não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas” (2Pe 2.4-5).
Várias coisas devem ser observadas relativamente a estes comentários: Primeiro, Pedro estava se referindo a um grupo de anjos a quem Deus havia confinado e acorrentado em um terrível lugar de trevas no passado.
Segundo, embora a tradução chame esse lugar de “inferno”, Pedro não usou a palavra do Novo Testamento para “inferno” (Hades) nesta passagem. Em vez disso, ele usou a palavra Tártaro. O mundo antigo entendia Hades e Tártaro como duas coisas distintas. Tanto os escritores apocalípticos gregos como judeus consideravam Tártaro como “um lugar subterrâneo, mais baixo que o Hades, onde o castigo divino era executado”.[8] O capítulo 22, versículo 2, do Livro Apócrifo de Enoque apresenta o Tártaro como o lugar de punição para os anjos caídos. Pedro estava indicando que esses espíritos maus estão aprisionados no mais profundo abismo das trevas.
A Segunda Carta de Pedro 2.4 é o único texto no Novo Testamento em que esse lugar de juízo é mencionado com seu próprio nome. Várias outras passagens se referem a ele através de seu termo descritivo, como o “poço do abismo” (literalmente “o abismo”). A palavra “abismo” significa “impenetravelmente profundo”. Escritores apocalípticos judeus o chamavam de “o lugar onde espíritos andarilhos [fugitivos, vagabundos], estão confinados” (Jub. 5:6ss; Eth. En. 10:4ss; 11ss; 18:11ss; Jd. 6; 2 Pe 2.4).[9]
Terceiro, o Tártaro é somente um lugar temporário de juízo para os anjos ali confinados. No final da história desta terra, eles, juntamente com Satanás e os anjos caídos, serão destinados a um outro lugar de juízo: o eterno Lago de Fogo (Mt 25.41; Ap 20.10).
Quarto, Pedro deixou bem claro que esses anjos já estavam no Tártaro por causa de um pecado que cometeram antes que a carta fosse escrita. Esse pecado não foi o pecado angelical original, a saber, a rebelião contra Deus porque, se o fosse, então todos os anjos – inclusive Satanás – estariam ali confinados. Em vez disso, tinha que ser um pecado mais repugnante, cometido por esse grupo de anjos depois da rebelião original dos anjos contra Deus.
Antes e depois do tempo de Cristo na Terra, o entendimento sobre Gênesis 6.1-4 era de que “os filhos de Deus” (Gn 6.1) eram anjos que haviam se casado com “filhas dos homens” humanas, produzindo descendentes gigantes, que se tornaram “varões de renome” antes do Dilúvio. Esses anjos abandonaram sua esfera de influência designada e esvaziaram a residência dos anjos nos céus.
A Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento hebraico, produzida por estudiosos judeus dos séculos II e III antes de Cristo, indica que “os filhos de Deus” de Gênesis 6 eram anjos.[10] O Livro de Enoque (o qual Judas cita nos versículos 14-15) e o Livros dos Jubileus, literatura judaica produzida nos séculos II e III antes de Cristo, apresentavam a mesma visão.[11] O mesmo fez Josefo, o famoso historiador judeu do século I d.C.[12] Esta visão também foi a posição histórica da Igreja primitiva até o século IV d.C.
O juízo de Deus sobre os homens de Sodoma e Gomorra, e das cidades circunvizinhas, serve como exemplo daqueles que sofrerão a punição do fogo eterno (Jd 7).

Apóstatas do Novo Testamento

Começando no versículo 8, Judas aplicou o exemplo dos apóstatas do Antigo Testamento aos apóstatas do versículo 4, que haviam se infiltrado enganosamente para dentro das igrejas. Eram falsos profetas que afirmavam “ter visões e sonhos”,[13] criam que a graça de Deus permitia imoralidade sexual e desprezavam a autoridade do senhorio de Cristo em suas vidas. Além disso, como meros humanos, eles acharam que poderiam repreender os anjos.
Judas contrastou as ações deles com as de Miguel, o arcanjo (um anjo de alta posição), que, quando em disputa com Satanás acerca do corpo de Moisés, disse: “o Senhor te repreenda!” (v.9), em vez de ousar ele mesmo repreender Satanás. Judas usou esse exemplo para aconselhar os apóstatas a terem cuidado em repreenderem os anjos, que são muito mais poderosos que eles.
No versículo 10, Judas acusou esses apóstatas de blasfemarem sobre coisas que eles ignoravam e, como animais irracionais, se corromperem com coisas que entendiam por instinto natural.
No versículo 11, Judas declara: “Ai deles!”, por causa de três coisas que haviam feito:
1. “Porque prosseguiram pelo caminho de Caim”, rejeitando a ordem de Deus e a autoridade de Seu senhorio a fim de fazerem o que queriam.
2. “Movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão”. Assim como Balaão usou gananciosamente seu ministério profético para enriquecer, esses homens enganosamente afirmavam ter visões significativas em sonhos a fim de ficarem ricos.
3. “E pereceram na revolta de Corá”. Assim como Corá pereceu por causa de sua rebelião contra Moisés (Nm 16), esses apóstatas também pereceram por causa da rebelião contra os líderes da Igreja designados por Deus.
Deus certamente é rápido em perdoar e lento para se irar, mas finalmente Ele tratará da apostasia. (Renald E. Showers — Israel My Glory — Chamada.com.br)

Notas:

  1. Webster’s New International Dictionary of the English Language, 2ª.ed., não-simplificada (Springfield, MA: G. & C. Merriam, 1939), 127, s.v. “apostasy”.
  2. William F. Arndt e F. Wilbur Gingrich, eds./trad., “arche”, A Greek English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (1952: tradução e adaptação do Griechisch-Deutsches Wörterbuch zu den Schriften des Neuen Testaments und der übrigen urchristlichen Literatur, de Walter Bauer, 4ª ed.; Chicago: University of Chicago Press, 1957), 112.
  3. Otto Michel, “oiketerion”, Theological Dictionary of the New Testament (citado a seguir como TDNT), ed. Gerhard Friedrich, trad./ed. Geoffrey W. Bromiley, traduzido de Theologisches Wörterbuch zum Neuen Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1967), 5:155.
  4. Walter C. Kaiser, Jr., More Hard Sayings of the Old Testament (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1992), 35.
  5. Edwin A. Blum, Jude in The Expositor’s Bible Commentary (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1981), 12:390.
  6. Arndt e Gingrich, “pornéia”, 699.
  7. Ibid., “apérchomai”, 84.
  8. Ibid., “tártaroo”, 813.
  9. Joachim Jeremias, “abyssos”, TDNT, ed. Gerhard Kittel, trad./ed. Geoffrey W. Bromiley (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1964 ), 1:9.
  10. New Catholic Encyclopedia, 13:435, s.v. “Sons of God”.
  11. R. H. Charles, The Book of Enoch (Oxford: Clarendon Press, 1912), 14-15, 21. The Book of Jubilees (New York: Macmillan, 1917), 57–58, 68.
  12. Flavius Josephus, Antiquities of the Jews, 1.3.1 in The Complete Works of Flavius Josephus, trad. William Whiston (Chicago: Thompson & Thomas, n.d.), 32.
  13. Arndt e Gingrich, “enypniázomai”, 270